Endometriose e a Fisioterapia Pélvica
A endometriose é uma doença inflamatória crônica, definida pela presença de endometrial ectópica. Afeta 2 e 10% das mulheres em idade reprodutiva, 20 e 50% das mulheres inférteis e 30 e 80% das mulheres com dor pélvica crônica.
1 a cada 10 mulheres que você conhece (incluindo a que vos escreve) tem endometriose.
Sim, extremamente comum e quase que totalmente desconhecida. Com diagnóstico difícil (média de 8 anos para ser fechado), a Endometriose ainda é uma incógnita para profissionais e pacientes.
Ela pode ser assintomática ou associada a vários sintomas como dor no período menstrual, dor pélvica crônica, dispareunia, infertilidade, bem como sintomas urinários cíclicos e sintomas intestinais de acordo com a localização da doença. Falando em localização, a endometriose tem uma preferência pela pelve, mas também pode ser encontrado tecido de endometriose em locais distantes como diafragma, por exemplo.
Mas a fisioterapia pélvica pode tratar a endometriose?
NÃO, a fisioterapia não trata a endometriose, mas atua de forma multidisciplinar no tratamento dos sintomas que são desencadeados. A ENDOMETRIOSE causa um desequilíbrio entre sistemas de inibição e sistema facilitador de sensação da dor, perpetuando essa dor por longos períodos ou períodos cíclicos na mulher.
A cada menstruação um ciclo de dor! Uma memória de dor.
Essa sensibilização transforma a dor mensal em dor crônica, favorecendo a contratura muscular e o aparecimento do que chamamos de pontos gatilhos, que são pontos extremamente dolorosos na musculatura.
Por isso, muitas pacientes continuam sentido as mesmas dores, mesmo depois da retirada dos focos da endometriose por cirurgia, por exemplo. Há mulheres com intensidade, ritmo, frequência e expressão de dor variadas. E isso não quer dizer que a mulher tenha um grau maior ou menor da doença.
O que a FISIOTERAPIA PÉLVICA pode fazer?
– promover a consciência do próprio corpo,
– desenvolver estratégias de enfrentamento e liberação da dor muscular,
– melhorar a qualidade de vida da mulher e
– potencializar os efeitos benéficos às mulheres, nas mais variadas condições de sensação de dor, frequentemente relacionadas a hipertonia muscular da região pélvica.
Lembrando que:
1- dor pélvica por mais de 6 meses pode ser ENDOMETRIOSE;
2- a endometriose ATINGE 10-15% das mulheres, isto é, 1 em cada 10 mulheres tem endometriose e muitas vezes nem sabe;
3- a DOR PÉLVICA CRÔNICA chega a 80% dessas mulheres;
4- não subestime a queixa de uma adolescente com cólicas e fluxo aumentado. Ela pode ser uma candidata a ter endometriose!
Não deixe passar!
Referência:
Darren Beales, Helen Slater, Thorvaldur Palsson, Peter O’Sullivan, Understanding and managing pelvic girdle pain from a person-centred biopsychosocial perspective, Musculoskeletal Science and Practice, Volume 48, 2020, 102152, ISSN 2468-7812